domingo, 1 de maio de 2011

QUANDO EU FOR PEQUENO

Quando eu for pequeno, mãe,
quero ouvir de novo a tua voz
na campânula de som dos meus dias
inquietos, apressados, fustigados pelo medo.
Subirás comigo as ruas íngremes
com a certeza dócil de que só o empedrado
e o cansaço da subida
me entregarão ao sossego do sono.

Quando eu for pequeno, mãe,
os teus olhos voltarão a ver
nem que seja o fio do destino
desenhado por uma estrela cadente
no cetim azul das tardes
sobre a baía dos veleiros imaginados.

Quando eu for pequeno, mãe,
nenhum de nós falará da morte,
a não ser para confirmarmos
que ela só vem quando a chamamos
e que os animais fazem um círculo
para sabermos de antemão que vai chegar.

Quando eu for pequeno, mãe,
trarei as papoilas e os búzios
para a tua mesa de tricotar encontros,
e então ficaremos debaixo de um alpendre
a ouvir uma banda a tocar
enquanto o pai ao longe nos acena,
lenço branco na mão com as iniciais bordadas,
anunciando que vai voltar porque eu sou
[pequeno
e a orfandade até nos olhos deixa marcas.

José Jorge Letria, in "O Livro Branco da Melancolia"

quarta-feira, 13 de abril de 2011

segunda-feira, 11 de abril de 2011

UM POUCO MAIS DE NÓS

Podes dar uma centelha de lua,

um colar de pétalas breves

ou um farrapo de nuvem;

podes dar mais uma asa

a quem tem sede de voar

ou apenas o tesouro sem preço

do teu tempo em qualquer lugar;

podes dar o que és e o que sentes

sem que te perguntem

nome, sexo ou endereço;

podes dar em suma, com emoção,

tudo aquilo que, em silêncio,

te segreda o coração;

podes dar a rima sem rima

de uma música só tua

a quem sofre a miséria dos dias

na noite sem tecto de uma rua;

podes juntar o diamante da dávida

ao húmus de uma crença forte e antiga,

sob a forma de poema ou de cantiga;

podes ser o livro, o sonho, o ponteiro

do relógio da vida sem atraso,

e sendo tudo isso, serás ainda mais,

anónimo, pleno e livre,

nau sempre aparelhada para deixar o cais,

porque o que conta, vendo bem,

é dar sempre um pouco mais,

sem factura, sem fama, sem horário,

que a máxima recompensa de quem dá

é o júbilo de um gesto voluntário.



E, afinal, tudo isso quanto vale?

Vale o nada que é tudo

sempre que damos de nós

o que, sendo acto de amor, ganha voz

e se torna eterno por ser único e total.


José Jorge Letria

segunda-feira, 28 de março de 2011

SMALL PLEASURES

Porque..."o essencial é invisível aos olhos", não nos devemos esquecer de SENTIR os pequenos prazeres da vida!

terça-feira, 22 de março de 2011

quarta-feira, 16 de março de 2011

quinta-feira, 10 de março de 2011

DÚVIDAS

Às vezes torna-se difícil ser-se optimista e pensar que vai correr tudo bem e que as pessoas que cruzam o nosso caminho estão para nos ajudar e apoiar. À partida, costumo pensar que sim, mas...há sempre os mas...

Porque razão nos "apontam o dedo" de uma coisa "mal feita", da qual nem sabemos ou temos conhecimento de que pode ter sido mal conduzida, fecham-nos a porta (literalmente) para falar com outras pessoas do sucedido, sem sequer nos perguntarem directamente o que aconteceu, mas por interposta pessoa, e se não era assim que se deveria fazer, ao menos que nos dissessem como deveríamos ter feito?
Assim é difícil, é...
e eu que gosto tanto que as pessoas sejam directas.

Sei que a frontalidade, a honestidade, a humildade e a cooperação são coisas cada vez mais raras nos dias de hoje, principalmente no mundo do trabalho. As pessoas gostam muito de trabalhar individualmente e ,se possível, não se importarem muito com os objectivos do grupo e sim com os seus próprios.
O espírito de cooperação e entre-ajuda, são imprescindíveis para uma equipa resultar, na minha opinião.
No entanto, acredito que ainda há pessoas que se importam com isso e que o praticam.
Eu sei que o faço e importo-me mesmo com isso.
Também sei que há pessoas que não dão o devido valor a isso, mas também há os que dão...

A situação que se passou hoje comigo, mesmo sendo de pouca importância e mesmo não tendo sido mal feita ou conduzida, como depois se verificou, faz-me ter dúvidas em relação a muitas coisas e uma delas é se terei tomado a decisão certa?
Vamos ver...o tempo (como sempre) o dirá...